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segunda-feira, 17 de novembro de 2008


Sou uma Sombra. Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva do caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias.
A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A saúde das forças subterrâneas,
E a morbidez dos seres ilusórios!

(Augusto dos anjos)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Inicio de tudo





Eis aqui minha primeira postagem, achei mais do que justo, começar estas reflexões com um poema que reflitirá a minha vida pelos próximos seis meses...Com uma dose a menos de pessimismo.


Augusto dos Anjos foi um dos grandes poetas da literatura brasileira ( ao meu ver o melhor),famoso pela originalidade temática e vocabular.


Ele recorreu a uma infinidade de termos científicos, biológicos e médicos ao escrever seus versos de excelente fartura, nos quais expressa por princípio um pessimismo atroz.



Poema negro

Para iludir minha desgraça, estudo.

Intimamente sei que não me iludo.

Para onde vou (o mundo inteiro o nota)

Nos meus olhares fúnebres, carrego

A indiferença estúpida de um cego

E o ar indolente de um chinês idiota!


A passagem dos séculos me assombra.

Para onde irá correndo minha sombra

Nesse cavalo de electricidade?!

Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:- Quem sou?

Para onde vou? Qual minha origem

E parece-me um sonho a realidade.

 
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